Jesus disse: "Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens." (Mateus 5:13)
Muitas pessoas cristãs dizem que não fazem mal a ninguem; realizam seus estudos e fazem suas orações no ambiente doméstico ou em suas igrejas; preferem se isolar para evitar os problemas e não assumir maiores responsabilidades. Contudo, este isolamento é egoísmo e covardia. São pessoas que cuidam mais da aparência, do que da essência; estão mais interessadas no que os outros pensam sobre elas, do que em sua real situação. São os fariseus de todos os tempos, mais interessados em prestígio ou destaque social.
Outras pessoas ditas religiosas empenham-se em pregar para os outros aquilo que elas mesmas ainda não conseguiram entender, e muito menos fazer. Querem converter e mostrar o caminho para os outros; mas, elas próprias se distanciam da realidade, são exageradas e fanáticas, em conseqüência, nada transmitem de útil; podem até contribuir para o afastamento de outras pessoas do ideal religioso, devido a sua maneira inadequada de proceder.
O sal é um elemento precioso, porém precisa ser usado na quantidade certa e com equilíbrio; colocando pouco sal no alimento ele tornar-se-á insípido, colocar muito sal torna-o impróprio para o consumo.
Quando Jesus compara os discípulos ao sal, está nos conclamando ao trabalho de nossa transformação moral, afeiçoando-nos aos seus ensinos. Ninguém dá o que não tem. E ninguém tem realmente senão aquilo que é.
O discípulo de Jesus deve ser o fator da preservação do bem, e contribuir para o progresso e desenvolvimento do próximo, e naturalmente desenvolver esses valores em si próprio. Para a pessoa "fazer", ou "dizer", com autoridade é necessário "ser" alguém que já desenvolveu em si mesmo os valores que deseja incentivar nos outros.
O apostolo Paulo disse: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade (ágape), seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine." (I Coríntios 13:1), isto é, que fale maravilhosamente bem, expressando conceitos e verdades profundas, "se não tiver caridade", ou seja, se não tiver desenvolvido em si o equilíbrio, o amor, a compreensão, tais palavras serão inócuas, como um sino: apenas um som vazio que a nada leva.
Nesse texto bastante conhecido e apreciado, fica claro que tudo o que se faz, ou se fala, só produzirá bons resultados se for acompanhado da autoridade de quem já edificou em si os valores do bem.
O sal para produzir os efeitos de sal tem que ser sal de verdade ou seja, guardar as propriedades que lhe são próprias. Assim, confessando-nos pecadores, devemos manter a nossa qualidade moral, com coragem, afastando-se do pecado, mas isso somente não basta para os discípulos de Jesus que desejamos ser. Atendamos, pois, às definições que nos traçam deveres imprescritíveis, e sem esquecer em nossas vidas de elevar a nossa qualidade, de nossa evolução e renovação moral.
"Alguém come sem sal algo que não tem gosto? Que sabor tem a clara do ovo? O que antes me causava nojo de tocar, agora se tornou a minha comida repugnante." (Jó 6:6,7)
Nós não devemos ser indiferentes às coisas erradas, e às privações que passam os nossos semelhantes, não devemos ser insossos e repugnanantes, devemos ser ativos e combatentes do bom combate.
"Com elas faça um incenso perfumado, composto segundo a arte da perfumaria, misturando com sal; será puro e santo." (Exôdo 30:35)
Devemos ser preciosos, puros e santos, e que a nossa passagem por esse mundo produza frutos saborosos e perfumados, e que o nosso sal permaneça para sempre.
Não podemos perder a nossa luz, e deixar o nosso sal insípido, pedimos ao Criador eterno e bom, que nos ajude a manter e fortalecer aquilo que temos de precioso, nos afastando do mal e das provações que não podemos suportar.
"O sal é bom. Mas, se o sal se tornar insosso, com o que vocês lhe darão sabor? Tenham o sal em vocês, e estejam em paz uns com os outros." (Marcos 9:50) Amém.
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