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CONCÍLIO DE NICÉIA
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O primeiro concílio geral realizou-se em Nicéia (Ásia Menor) Este
concílio teve autoridade de estabelecer o cânone dos livros sagrados
da Escritura, excluindo, como excluiu, os livros apócrifos . Nessa
ocasião o livro do Apocalipse não foi aceito, porém ele finalmente
foi incluído no cânon no Novo Testamento por outro concílio, o Concílio
de Cartago (África) no ano 397 d.C a Bíblia como um todo, aliás, não
apresentou sempre a forma como é hoje conhecida. Vários textos
chamados hoje de apócrifos, figuravam anteriormente como escrituras
sagradas, em contraposição aos canônicos reconhecidos hoje pelas
Igrejas ocidentais. Foi um bispo quem escolheu, no século IV (Nicéia),
os 27 textos do atual Novo Testamento. Em relação ao Antigo
Testamento, o problema só foi definitivamente resolvido em 1546,
(Trento) sendo incuidos O Livro da Sabedoria, atribuído a Salomão, o
Eclesiástico ou Sirac, as Odes de Salomão, o Tobit ou Livro de
Tobias, os Livros dos Macabeus e outros mais) Muitos dos chamados
textos apócrifos ao longo dos sucessivos concílios acabaram
eliminados da Bíblia.
Os principais concílios:
Concílios da Igreja Universal
50 Concílio de Jerusalém - As leis judaicas e os cristãos
325 1º Concílio de Niceia - Contra o arianismo, Credo, livros canônicos
nt
381 1º Constantinopla - Finalização do Credo
432 Concílio de Éfeso - Contra o nestorianismo
451 Concílio de Calcedónia - Contra o monofisitismo e princípio da
união hipostática
553 2º Concílio Constantinopla - Contra os nestorianos
681 3º Concílio Constantinopla - Contra o monotelitismo
767 2º Concílio de Niceia - Legaliza veneração de imagens
Concílios da Igreja Romana (867 e 1064: Cismas entre as Igrejas
Romana e Ortodoxas)
869 4º Constantinopla - A paz entre o Este e o Oeste
1123 1º Concílio de Latrão - Disciplina. Contra os Valdenses e
Albigenses
1139 2º Concílio de Latrão - Idem
1179 3º Concílio de Latrão - Idem
1215 4º Concílio de Latrão - Idem
1245 1º Concílio de Lião
1274 2º Concílio de Lião
1311 Concílio de Viena
1414 Concílio de Constância - Fim da rivalidade entre os papas
1431 Concílio Basileia/Ferrara/Florença/Lausana - Reforma e união
com as igrejas orientais
1512 5º C. de Latrão
Concílios da Igreja Católica Romana (1517: Reforma e surgimento das
Igrejas Protestantes)
1545 Concílio de Trento - (Contra-)Reforma livros canônicos vt
1870 1º Concílio Vaticano - Doutrina da infalibilidade papal
1962 2º Concílio Vaticano - Aggiornamento da Igreja
PRIMEIRO
CONCÍLIO ECUMÊNICO DE NICÉIA VOLTAR À PÁGINA INICIAL
No ano de 324 era Constantino imperador Romano. A Igreja estava livre
das perseguições. Mas começaram a surgir problemas dentro da
própria Igreja. Em Alexandria, uma disputa teológica entre um padre
chamado Ário e seu Bispo. Diz-se que O Bispo Alexandre teria feito
uma afirmação e Ário, a teria contradito. Daí nasceu um grave
impasse teológico, Ário passara a afirmar que o Logos Encarnado era
inferior a Deus Pai e que se o Pai gerou o Filho, então houve uma
época em que o Filho não existia.
Ário acreditava em Jesus Cristo como o Salvador, mas subordinava o
Filho ao Pai. Enfim, negava a divindade de Jesus Cristo, pois afirmava
que ele não era igual ao Pai. Desde os tempos apostólicos a Igreja
combatia os que pregavam divindades subordinadas a Deus, derivadas das
seitas agnósticas. Tudo isso era contra o mistério da Redenção,
como há tempo fundamentara o diácono Atanásio, não teria sentido
se Deus mesmo não tivesse se encarnado, se Jesus Cristo não fosse
verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Tomando Constantino conhecimento dessa discussão herética e do
perigo iminente de cisão na Igreja, promoveu a convocação de um
Concílio que se realizou na cidade de Nicéia da Bitínia, próxima
de Constantinopla, em 325.
Como ficou na história, o Concílio foi um acontecimento
impressionante, um dos grandes marcos da vida da Igreja. Acorreram
Bispos da Ásia Menor, Palestina, Egito, Síria, e até Bispos de fora
do Império Romano, ou seja, de todos os lugares onde a Cristandade
tinha se estabelecido com vigor, como a longínqua Índia e a
Mesopotâmia, além de delegados da África do Norte. O Papa
Silvestre, Bispo de Roma que já estava ancião e impossibilitado de
comparecer pessoalmente, mandara dois presbíteros como seus
delegados. Estiveram presentes ao Concílio 320 Bispos, mais grande
número de presbíteros, diáconos e leigos. Por maioria quase
absoluta (apenas dois Bispos não quiseram firmar a resolução final)
foi redigido o Credo de Nicéia que confirmava a verdade em que a
Cristandade unida, à exceção dos seguidores de Ário, sempre
acreditara: Jesus Cristo, Deus Encarnado, é ponto fundamental do
Cristianismo. O próprio Credo, a seguir, estabeleceria o conteúdo da
fé da Igreja.
Destaque-se que Eusébio de Cesaréia e alguns outros pensaram em
resolver a questão com uma pequena mudança de grafia na palavra
essencial da definição dogmática. Em vez de declarar
"homousios" (da mesma substância - consubstancial),
propunham usar "homoiusios" (de substância semelhante). Mas
este artifício fazia diferença essencial e a Igreja não vacilou.
Igualmente, o Credo de Nicéia em nada mudou a fé já confessada pelo
Símbolo dos Apóstolos, tradição da Igreja Primitiva. O que está
no Credo que apresentamos nesta área são apenas definições que
resolveram o problema então debatido. Nele foram omitidas aquelas
verdades enunciadas pelo Símbolo dos Apóstolos. Posteriormente, no
Concílio de Constantinopla (ano de 381), foi redigido um Credo
completo adicionando ao Símbolo dos Apóstolos as definições
teológicas do Credo de Nicéia. É o Símbolo
Niceno-Constantinopolitano, usado e cantados em Latim.
É lamentável que o gosto pelas discussões tenha continuado
perturbando a Igreja por muitos anos após o Concílio de Nicéia. Por
outro lado, é comovedor constatar - como demonstra a História - como
compareceram ao Concílio, em defesa do Deus Humanado, gerações de
cristãos que tinham por Ele sofrido perseguições, muitos deles com
as marcas das violências sofridas.
Além desse grave cisma, havia entre a Igreja do Ocidente e a Igreja
do Oriente uma divergência de menos importância: a data em que cada
uma celebrava a Páscoa. O assunto será resolvido também por este
Concílio, que estabelecerá 20 cânones, os quais darão sequência
ao Credo primeiramente apresentado.
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